Não estamos falando da correria do dia a dia, estamos falando de atividade corporal. Você tem uma vida ativa ou ocupada?  Bruna Genaro

Com certeza, a pergunta do subtítulo é instigante, tanto é que você já está aqui lendo a reportagem. Mas você sabe a diferença entre vida ativa e vida ocupada? De crianças a idosos todos têm uma vida ocupada. Temos filhos ou netos para cuidar, casa para arrumar, comida a fazer, roupa a lavar e passar, ir ao trabalho, à escola, à faculdade, à igreja, aos encontros sociais, aos eventos de família. Ufa! E olha que a lista nem está tão grande assim. Isso é uma vida ocupada, com muitos afazeres.

Agora, o que seria uma vida ativa? No dicionário, o termo ativo tem a seguinte definição: “Que se caracteriza pela ação ou prática e não pela contemplação”, além de estar ligado à palavra “atividade”, que significa “estado do que se move ou funciona; ação, movimento”. Está entendendo aonde vamos chegar? Uma vida ativa é resultado de movimento, ação, atividade. Você pode sempre estar ocupado, mas, na maioria das vezes, inativo. Sentado dirigindo o carro, sentado no banco do ônibus, sentado enquanto assiste, sentado enquanto come, sentando em frente ao computador, sentado mexendo no celular, e por fim deitado para dormir.

O que tem feito seu sangue se movimentar no dia a dia? Por isso queremos convidar você a ler esta reportagem até o fim e terminá-la diferentemente de como você começou. Vamos dar-lhe algumas dicas de como sair da vida ocupada e se tornar alguém ativo – por você, pela sua família, pelos seus filhos, pela sua saúde. Vamos apresentar três “remédios naturais” gratuitos e disponíveis todos os dias para nosso uso.

Exercitar-se pode ser muito mais simples do que você imagina. Não são só as pessoas que vão para a academia que praticam exercícios físicos; você pode fazer isso em casa ou mesmo na rua (sempre levando em consideração seus limites e orientado por um profissional, principalmente em casos de doenças preestabelecidas). “Se não há muito tempo disponível para ir a uma academia, faça exercícios de pelo menos 30 minutos por dia. Faça uma caminhada, ande de bicicleta, pratique natação ou hidroginástica. Existem várias formas de praticar de acordo com sua realidade”, exemplifica a professora Yasmin Camargo, graduada em Educação Física e se especializando em Atividade Física e Saúde.

Primeiro remédio: Exercício físico

Se não há muito tempo disponível para ir a uma academia, faça exercícios de pelo menos 30 minutos por dia. Faça uma caminhada, ande de bicicleta, pratique natação ou hidroginástica. Existem várias formas de praticar de acordo com sua realidade.

Além das vantagens para o corpo, o cérebro é extremamente beneficiado com os exercícios físicos regulares. “A anandamida, o neurotransmissor da bem-aventurança, gera um estado em que você fica assim: ‘pode cair o mundo estou em paz’. É um neurotransmissor que causa no cérebro o mesmo efeito do THC, princípio ativo da maconha, e isso circulando no nosso corpo proporciona uma sensação de bem-estar. A anandamida é sintetizada quando fazemos exercícios físicos. O exercício não é só para deixar você bonita(o), com a barriga ‘tanquinho’; é para o seu bem-estar e de quem vive com você, porque se você está enlouquecendo de estresse, está enlouquecendo quem está perto também”, ressalta a farmacêutica, bioquímica e especialista em epidemiologia do câncer Mary de Carvalho.

A atividade física regular está diretamente ligada à melhora do humor. A explicação é que durante a atividade há maior produção de neurotransmissores, como a serotonina e também a anandamida citada acima, e o aumento do número de sinapses previne a atrofia do hipocampo, associada à depressão e à ansiedade. Além disso, exercícios ao ar livre ou mesmo em uma academia são boa oportunidade para interagir socialmente e fazer novos amigos; as relações sociais são importantes para a manutenção do humor e da autoestima.

Acontece que o exercício físico muitas vezes só é associado à perda de peso ou à saúde cardíaca. Na verdade, o exercício é um remédio natural que pode prevenir e tratar muitos problemas de saúde. “O exercício é remédio para tratamento e prevenção para doenças neurológicas como demência e Alzheimer, é fundamental na prevenção e tratamento de vários tipos de câncer, importante na manutenção da massa muscular e óssea, é imprescindível no tratamento e prevenção de doenças emocionais e mentais como ansiedade, estresse crônico e depressão”, destaca Elson Nunes, cardiologista, nutrólogo e diretor clínico do Centro de Vida Saudável (Cevisa), em Engenheiro Coelho, SP. Ao contrário do pensamento popular, sedentarismo não é um estilo de vida e sim uma doença, podendo resultar em diversos problemas metabólicos e funcionais. “É muito importante que todos consigam separar algum período do dia, mesmo que 20 minutos, para se exercitar. Movimento é vida”, continua Nunes. Pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, analisaram oito estudos com voluntários acima de 40 anos e concluíram que simplesmente o fato de não passar o dia todo sentado está associado à melhora dos testes cognitivos, além de uma probabilidade reduzida de demência. Outro estudo desenvolvido no Instituto Karolinska, na Suécia, acompanhou 1.173 pessoas com mais de 75 anos por quase uma década. Nenhuma delas tinha diabetes, mas as que tinham altos níveis de glicose apresentaram uma probabilidade 77% maior de desenvolver Alzheimer. Isso porque, conforme envelhecemos, os níveis de insulina caem e a glicose tem mais dificuldade para chegar às células e abastecê-las. Segundo os últimos estudos, o excesso de glicose no sangue parece contribuir para a formação de radicais livres, que danificam os vasos sanguíneos, colocando-nos em risco de desenvolver Alzheimer. No organismo em equilíbrio, a insulina age contra o acúmulo de placas, já o excesso contribui para o aumento das placas e para a inflamação, danificando os neurônios ao redor.

Transformando inatividade em atividade

Se você passa muito tempo no escritório já deve estar pensando: “Como vou ser ativo se passo o dia em frente ao computador?” Aqui vão algumas dicas pre- ciosas e simples para aplicar ao seu dia a dia: “Prefira subir de escada em vez de elevador; procure levantar a cada hora cheia para dar uma voltinha no seu ambiente de trabalho. Isso fará com que o sangue circule mais livremente e evitará edemas e inchaço nas pernas. Se possível, ande um pouco após o almoço e, caso não vá de carro para o trabalho, tente desembarcar um a dois pontos antes, para praticar uma caminhadinha antes de ingressar no trabalho”, sugere a nutricionista clínica e oncológica do Centro de Nutrição que curam Cleonice Pereira. “É muito comum, no entanto, ver pessoas que evitam beber água para não precisar levantar para atrapalhar o trabalho. Isso gera um prejuízo enorme à saúde. Evite usar ramais dentro da empresa e vá pessoalmente falar com a pessoa. Mesmo que você faça exercícios em algum momento no dia, isso não exclui a necessidade de ser ativo”, frisa Nunes. Segundo pesquisadores das Universidades de São Paulo (USP), Federal de Pelotas, de Cambridge (Reino Unido), de Queensland (Austrália) e Harvard (EUA), meia hora de exercícios físicos por dia poderia prevenir pelo menos 2.250 casos de câncer de mama e cólon no Brasil. O estudo, publicado na revista científica Cancer Epidemiology em agosto do ano passado, mostra ainda que cerca de metade da população brasileira (47,6%) não atinge sequer os 150 minutos semanais de exercícios recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Entre as mulheres, a situação é pior (50,7%) que entre os homens (44,2%). “A quantidade de exercício ideal é variável. Depende principalmente da intensidade do exercício efetuado e do objetivo. Quanto mais intenso é o exercício, menor é a duração necessária para ter uma resposta no organismo em promover saúde cardiovascular, por exemplo. Mas não são todas as pessoas que podem realizar exercícios nessa intensidade. Se a intensidade for leve, deve-se realizar por mais tempo”, comenta Nunes. “Sempre dê preferência ao que mais lhe dá prazer. Faça o que seu tempo permitir. Comece com pelo menos três vezes na semana meia hora por dia, e vá intensificando conforme a disposição for aumentando. Isso com certeza acontecerá gradativamente”, acrescenta Cleonice.

Segundo remédio: Água

Precisamos de água para todas as funções do organismo. Não é à toa que ela representa 70% do nosso corpo. Você já se sentiu irritado ou com dor de cabeça, e quando percebeu fazia tempo que não tomava água? Uma pequena desidratação já é sufi ciente para mudar o humor e causar irritabilidade. O nível de água precisa estar em equilíbrio para que o corpo mantenha a circulação fluindo de forma eficiente, além de ser extremamente importante para o funcionamento celular. “A desidratação é capaz de interromper o funciona- mento dos rins e intestinos, que são fundamentais no processo de desintoxicação. Uma média de dois litros por dia geralmente é o necessário para ter uma boa saúde – mas o peso corpóreo é importante para calcular o mínimo necessário. É preciso avaliar a sudorese, a temperatura do ambiente, a umidade e a prática de exercícios físicos também para mensurar a hidratação necessária, e a coloração da urina é uma boa base para dosar, sendo importante estar bem clara”, orienta o cardiologista e nutrólogo Elson Nunes. A ingestão de água melhora a saúde da pele, dos cabelos e das unhas. “Se você pretende que sua pele esteja sempre hidratada e as rugas demorem a aparecer, é preciso se hidratar bem”, destaca Cleonice. Além disso, a água “previne doenças renais, como insuficiência renal e pedra no rim. Ela regulariza o intestino, reduz o inchaço e melhora as dores de cabeça provenientes da falta de hidratação”, acrescenta a educadora física Yasmin Camargo. Para quem se esquece ou não gosta de tomar água, vale a pena seguir estas indicações: “Ter sempre por perto uma garrafinha e programar alarmes no celular são boas dicas para se lembrar de beber água.”, sugere Cleonice. “Deixe vários lembretes espalhados em pontos estratégicos. E quando der vontade de beber aquele refrigerante, escolha água, pois pode ser que seu organismo esteja precisando se hidratar, mas sua mente produz a vontade de tomar refrigerante, por um vício do paladar. Coloque lembretes em frente ao computador de seu trabalho, na cabeceira da cama e até no carro”, acrescenta Yasmin. Um estudo feito pela Universidade de Loma Linda, nos Estados Unidos, mostrou que pessoas que bebem em média dois litros de água por dia têm menos chances de sofrer ataques cardíacos ou outras doenças do coração do que aquelas que bebem menos do que isso.

Terceiro remédio: Luz solar

A luz emanada do astro-rei é conhecida pelos seus efeitos na produção de vitamina D. Na verdade, a vitamina D funciona como um hormônio no corpo, tendo efeito em praticamente todas as células. Hoje, com a rotina moderna, a maioria das pessoas passa mais tempo dentro de edificações e transportes cobertos, sem exposição ao sol, o que acaba gerando problemas de saúde. “A deficiência de vitamina D tem sido relacionada a muitas doenças e problemas de saúde, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, depressão, doenças autoimunes, câncer, entre outros”, destaca Nunes.

A exposição ao sol também é fundamental para regular o ciclo biológico que respeita o ciclo circadiano. A falta de exposição ao sol, inclusive, tem resultado em insônia e outros problemas associados. “É importante que tenhamos pelo menos 15 minutos de exposição solar ao dia, e que, se for uma exposição curta, seja no período das 10h às 15h, com a maior área do corpo exposta para produzir a quantidade necessária. Cada tipo de pele tem uma orientação específica, e a pele nunca deve ficar queimada, sendo sinal de excesso e inflamação”, observa Nunes. “Nesse período de exposição solar nada de usar bloqueador solar, pois o nome mesmo já diz: ele bloqueia o maravilhoso remédio em forma de raios. Para aproveitá-los diariamente, basta na hora do intervalo do almoço presentear-se com esse benefício gratuito doado pelo Criador”, enfatiza Cleonice.

O triptofano (encontrado na banana, aveia, lentilha, no espinafre e no grão-de-bico) aliado à vitamina D tem o trabalho de sintetizar a serotonina (neurotransmissor da felicidade) no corpo. “Essa união é perfeita para tirar as pessoas da depressão e proporcionar felicidade, e é do que a humanidade está precisando. Muita gente está deprimida e sem disposição para se cuidar, cuidar da casa, para ter uma razão para levantar da cama. Acredito que, se você fixar bem nisso, que a vitamina D não é só para os ossos, e lembrar que o intestino é o segundo cérebro, então você se lembrará de arrumar um tempo em sua agenda para caminhar, beber água e se expor ao sol”, frisa a farmacêutica e bioquímica Mary de Carvalho.

Aprendendo com quem viveu na pele A farmacêutica e bioquímica Mary de Carvalho (55 anos), entrevistada para esta reportagem, passou a desfrutar dos benefícios dos remédios naturais após receber um difícil diagnóstico há oito anos. “Decidi fazer um checkup completo. O resultado foi que eu estava com uma neoplasia no encéfalo (câncer na parte superior do sistema nervoso central que controla o organismo). Eu só iria descobrir essa neoplasia no dia em que eu engasgasse. Mas como acredito que Deus me levou a procurar um checkup antes de ter sintomas, pude tomar algumas decisões radicais que têm me mantido viva. “Os médicos que estavam me acompanhando marcaram a cirurgia e quando me pediram para assinar um documento em que eu estaria ciente da sequela, rasguei o papel, porque lá dizia que eu iria perder o hipoglosso e não poderia mais falar nem engolir. Além disso, eu perderia o nervo facial, teria comprometimento respiratório e também perda auditiva. Decidi em oração que não iria para a cirurgia e deixaria a doença tomar o curso que ela quisesse, porque a sequela do bisturi era a mesma do crescimento do tumor. “Então, fui para a Clínica Adventista Vida Natural, de São Roque, SP, e resolvi abandonar açúcar, fritura, carnes e derivados de animal. Contratei uma pessoa que ficou comigo me ajudando a fazer os sucos orgânicos e o tratamento em casa. Mudei-me para o interior, comecei a tomar água pura e tomo 1,5 litro até o meio-dia e 1,5 litro até a noite. Aqui no sítio em que moro tenho o privilégio de ficar bem exposta ao sol. Eu vivia numa síndrome do confinamento, que as pessoas que estão na correria vivem, dentro do carro, do escritório, da escola, da casa, da igreja. De ar condicionado a ar condicionado, e não ficam expostas aos 15 ou 20 minutos necessários de sol. Eu estava nessa vida.

“Meu sono melhorou também. Eu era muito estressada, com cortisol muito alto. Dormir melhor e tirar os estimulantes (chocolate, café, refrigerantes) me deu muita qualidade de vida. A cada vez em que eu vou ao INCA (isso já tem oito anos de acompanhamento por causa da doença), eles querem encontrar um tumor secundário, mas sempre ficam impressionados de me encontrarem disposta, alegre, cheia de vida, palestrando para mulheres e casais. Ainda acho que eles não me deram alta por curiosidade, para ver até onde eu vou”, conta Mary, aos risos.

“Você pode estar pensando: ‘Ah, mas a Mary mora num sítio, tem todo tempo do mundo.’ De jeito nenhum! Minha vida tem sido viajar. No caminho para o aeroporto, peço que desliguem o ar condicionado e abram a janela, para poder receber a luz solar, para respirar um ar puro. E acredito que, se você está disposto a não receber um diagnóstico desfavorável, se cuidar, cuidar da sua família e de seus filhos, você vai encontrar um jeito na sua agenda de tomar seu banho solar e praticar atividades físicas”, finaliza a bioquímica.

Bruna Genaro Jornalista