de missão na vida, na participação política e no perdão aos outros.

Além de controle na depressão, houve redução no uso de drogas lícitas (álcool e tabaco), 33% menos uso de maconha e de outras drogas ilícitas, 30% menos probabilidade de se tornarem sexualmente ativos na adolescência, 40% menos propensão a contrair uma doença sexualmente transmissível (DST) e redução no número de parceiros sexuais.

O interessante foi que não se tratava somente de quanto os adolescentes participavam dos serviços religiosos, mas se eles oravam ou meditavam por conta própria. Isso significa que o ateísmo é profundamente prejudicial tanto para a saúde física quanto mental dos jovens; isso sem mencionar o prejuízo do ateísmo para a saúde “espiritual”.

Embora sejam claros os efeitos positivos de se crescer em um lar religioso, a religiosidade na América do Norte está declinando, particularmente entre a geração Y, também chamada de jovens do milênio. Dados do Centro de Pesquisas Pew (Pew Research Center, em inglês) mostram que a religiosidade entre os norte-americanos declinou consistentemente nas últimas cinco gerações, com 36% dos jovens da geração Y nascidos entre 1990 e 1996 não afiliados a nenhuma religião. Provavelmente, o declínio da importância da religião entre os jovens seja resultado da mudança de valores entre as gerações.

Emilie Kao, advogada e diretora do Centro DeVos para Religião e Sociedade Civil da Heritage Foundation, advertiu que o declínio na religiosidade entre as famílias poderia elevar os comportamentos doentios que a educação religiosa é capaz de reduzir, como dependência de drogas lícitas ou ilícitas, depressão e suicídio. “Seja drogas ou suicídio, são as fortes conexões pessoais e redes sociais que isolam os vícios e comportamentos inadequados e o suicídio”, disse ela.

Mas essas descobertas não são uma surpresa para a equipe da Vida e Saúde. Durante oito décadas temos acompanhado evidências como essa na prática e em dados, como os publicados pelo Instituto de Pesquisa sobre Matrimônio e Religião (Marriage and Religion Research Institute, em inglês), sediado em Wanshington (EUA). É um fato demonstrável que, quando se permite que a fé floresça, bons resultados estão reservados para a sociedade em geral.

“Essas descobertas são importantes para nossa compreensão da saúde e das práticas parentais”, disse o primeiro autor do estudo, Ying Chen. “Muitas crianças são criadas religiosamente, e nosso estudo mostra que isso pode afetar poderosamente seus comportamentos de saúde, saúde mental e felicidade e bem-estar geral.”

A advogada Emilie Kao disse que também não ficou surpresa com as descobertas dos pesquisadores, observando que o estudo de Harvard se junta a uma longa lista de estudos mostrando uma ligação positiva entre religião e bem-estar. “Acho que eles são consistentes com outras pesquisas que mostram que as crenças religiosas dão às pessoas força espiritual que leva a hábitos saudáveis ??e constrói suas redes sociais, além de lhes dar a capacidade de superar obstáculos”, disse Kao.

Religião e longevidade

No entanto, o ato de desenvolver e vivenciar a fé traz resultados ainda mais positivos para a humanidade. Um estudo científico publicado recentemente, intitulado “Religião evita a sepultura?”,2 mostrou que existe uma correlação entre filiação religiosa e longevidade. A hipótese dos pesquisadores era de que a prática da religiosidade numa região em que a religião é socialmente valorizada poderia conferir diversos benefícios, principalmente a redução do estresse.

Com base em um estudo piloto, os pesquisadores conduziram a investigação inicialmente usando obituários no Registro de Des Moines e a ampliaram a ponto de considerar obituários em jornais online em 42 grandes cidades dos Estados Unidos, amostrando pouco mais de mil obituários.

Eles descobriram que o efeito do voluntariado e da participação foi responsável por 20% do aumento da longevidade, ou seja, um ano do impacto, enquanto a afiliação religiosa representou os cinco anos restantes ou 80%. Também observaram que, mesmo controlando o estado civil e o sexo, quando as filiações religiosas eram anotadas no obituário, os indivíduos viviam cerca de seis anos a mais que indivíduos que não tinham nenhuma religião. 

Os pesquisadores se preocuparam em considerar o contexto da atividade religiosa dentro da comunidade, buscando confirmar a religião como uma hipótese de valor social. Nas cidades mais insulares, religiosas e familiares, a filiação religiosa resultou em mais longevidade; em cidades mais diversas, em que a religião não era tão uniformemente praticada, eles observaram que a longevidade era prolongada, mas não no mesmo grau.

Realmente não deveria ser uma surpresa a associação entre religiosidade/espiritualidade e aumento de saúde, ainda mais se um grupo religioso (1) recomenda que seja evitado o consumo de bebidas alcoólicas, fumo e drogas, e incentiva o jejum regular (disciplinado, não extremo), (2) incentiva os adeptos a ser bons para suas famílias e ativos na comunidade, (3) insiste em respeito e atenção aos idosos e às pessoas com deficiência, que deverão permanecer uma parte ativa da comunidade o maior tempo possível e (4) promove o desenvolvimento da fé/saúde espiritual, além do descanso e da alimentação saudável.

“No geral, o estudo forneceu apoio adicional ao crescente número de estudos, mostrando que a religião tem efeito positivo na saúde”, disse Laura Wallace, primeira autora do estudo. Portanto, o resultado dessa pesquisa não é uma exceção. Ao contrário, é confirmado pela grande maioria dos estudos que, ou já foram realizados, ou estão sendo realizados até o momento.

“Defendo que, seja o que for a fé, não pode ser uma ilusão. O efeito vantajoso da crença religiosa e da espiritualidade na saúde mental e física é um dos segredos mais bem guardados da Psiquiatria e da Medicina em geral. Se as descobertas do enorme volume de pesquisas sobre esse tópico tivessem ido na direção oposta e tivesse sido descoberto que a religião prejudica a saúde mental, teria sido notícia de primeira página em todos os jornais do país”, afirma o professor Dr. Andrew Sims, ex-presidente do Royal College of Psychiatrists.

Kao disse que há uma lição para os formuladores de políticas aprenderem com estudos como esses dois mencionados acima, que mostram as influências positivas que o crescimento de uma educação religiosa pode ter sobre os cidadãos.

“O que os políticos precisam fazer é permitir que as instituições religiosas atuem no âmbito público sem tentar forçá-las a mudar suas crenças”, disse ela. “Acho que há um movimento para empurrar as organizações religiosas para fora do âmbito público.”

De fato, essas pesquisas não deveriam nos surpreender, ainda mais quando voltamos nossa atenção para o que o livro bíblico de Provérbios, no capítulo 3, versos 1 e 2, já recomendava para toda a sociedade humana há alguns milhares de anos: “Filho meu, não te esqueças da Minha lei, e o teu coração guarde os Meus mandamentos. Porque eles aumentarão os teus dias e te acrescentarão anos de vida e paz.” 

Everton Fernando Alves é Mestre em Imunogenética pela UEM