domingo, 16 junho

Controle da Raiva

Texto por: Equipe VS 7 junho, 2019 Sem comentários

A raiva é uma das emoções que mais exige conscientização, porque ela pode substituir várias outras emoções como dor, tristeza, vergonha, medo, culpa. Pode também se manifestar em conjunto com outras emoções. Além disso, ela pode nos impregnar de tal maneira que nos incapacite para agir racional e adequadamente em decisões.

Por isso, quanto mais cedo entramos em contato com a raiva, mais nos qualificamos para mantê-la sob domínio e, com isso, fazermos uso adequado dela, afim de não nos tornarmos sarcásticos, críticos, encrenqueiros, irritáveis, explosivos. Sob o domínio pleno da raiva podemos desconfiar de todos e, inclusive, de nós mesmos, chegando às margens da paranoia, muitas vezes, sem a noção mínima do que estamos fazendo.

Ao tomarmos consciência da raiva nos habilitamos a controlá-la e administrá-la para nosso bem e o bem do outro. Contudo, negar que sentimos raiva é indicação de um completo desconhecimento de nosso estado emocional. Roy F. Baumeistein cita em seu livro Loosing Control três ingredientes fundamentais para a prática da autorregulação (regulação de si):

1. Padrões que recorremos para exercer controle sobre nós mesmos. Podem ser normas sociais, alvos pessoais, expectativa dos outros, ou coisas dessa natureza. Se os padrões não forem claros, não existirem ou forem conflitantes, a autorregulação será menos eficiente.

2. O monitoramento das circunstâncias cujo significado é estar atento ao seu estado emocional.

3. Os meios que utilizamos sobre nós mesmos para chegarmos às respostas ou mudanças desejadas. Assim sendo, precisamos saber quais são os nossos padrões de conduta, prestar atenção nas circunstâncias de vida e descobrir os meios que nos levam às mudanças desejadas.

Autorregulação

Sugerimos três tipos de autorregulação:

  • RELAXAMENTO

Método muito usado e estudado pela Psicologia Comportamental e pela Bioenergética para tratar os sintomas de tensão muscular crônica, dor no pescoço e costas, insônia e pressão alta. Ele é bastante útil para regular a raiva. Podemos relaxar através da respiração profunda, da concentração da mente no grupo de músculos que estão mais tensos no momento da raiva ou da tensão. Além disso, podemos aprender a visualizar ou imaginar cenas agradáveis capazes de nos tirar temporariamente da situação de raiva em que nos encontramos.

Também ajuda sair do ambiente e ir a um local privativo, um quarto ou banheiro. Dar alguns socos no ar com intensidade funciona bem para aliviar a tensão; se colocar algum som vocal sincronizado com o soco alivia mais ainda. Outra possibilidade é socar o travesseiro ou o colchão acima de 20 vezes. É difícil de ser feito porque nos achamos ridículos quando fazemos isso. Ridículo ou não, fato é que funciona e nos deixa em melhor condição de lidar realisticamente com a raiva.

  • MEDITAÇÃO

Além do relaxamento para lutarmos contra a raiva, contamos também com a meditação como excelente estabilizador emocional. É uma prática antiga, mas recentemente revitalizada para buscarmos o equilíbrio emocional. Ela ajuda a manter a mente e o corpo em sintonia. É bom lembrar que a mente segue na direção do que a ocupa. Pela meditação, contemplação, reflexão, ponderação do pensamento esvaziamos a mente de pensamentos negativos e destrutivos.

Por meio da meditação trazemos clareza aos nossos pensamentos. Além disso, entramos em contato com a realidade de nós mesmos buscando um bem-estar maior, um posicionamento mental mais firme e mais flexível, uma força de caráter mais resistente e um crescimento pessoal mais informado.

A meditação nada mais é do que um recurso que contribui para orientarmos nossa atenção, ou seja, equivale a dizer que adquirimos o poder de nos concentrar ao máximo em qualquer objeto que escolhemos prestar atenção. Por meio dela adquirimos a capacidade de estabilizar nossa atenção e impedir que ela divague sem rumo.

A meditação deve ser feita em condições privativas, isto é, livres de incômodo, interrupção, barulho. Quem faz uso da meditação rumina menos o negativo e o indesejado, sofre menos de ansiedade e depressão. Além de ser mais bem-sucedido em suas relações consigo mesmo e com os outros.

  • PERDÃO

Um terceiro recurso valioso para vencer a raiva é o perdão. Praticá-lo vai ficando difícil com o crescimento do egoísmo e da agressividade do ser humano. Entretanto, não pode haver relação profunda sem a prática do perdão. Quanto mais machucados somos, mais difícil é perdoar. É a dor real ou interpretada que nos motiva a raiva e com ela o desejo de vingança e retaliação.

Perdoar é fazer o esforço consciente de “empatizar” e não vingar; é escolher amenizar e não agravar. É uma luta interior muito grande, porque lida com uma experiência intensamente dolorosa. Perdoar exige honestidade de conduta. Não é um jogo e muito menos manipulação. Para executarmos o perdão é preciso reviver a experiência dolorosa, reconhecer a raiva por ocasião da dor primária e substituí-la pela compaixão e misericórdia. Com honestidade, esforço e perseverança, podemos alcançar o alívio do envenenamento que a raiva pode nos causar.

Sucesso!

Belisário Marques é doutor em Psicologia

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