A cor do amor

Quando as diferenças são atrativas e não repulsivas

Não faz muito tempo alguns episódios envolvendo declarações de preconceito racial caíram nas redes sociais, tornando-se manchetes da grande imprensa e causando comoção entre os internautas. Infelizmente, não é a primeira nem será a última vez em que casos de racismo repercutem na mídia.

A atriz Taís Araújo, muito bem-sucedida (diga-se de passagem), foi rechaçada em rede após dizer em um evento, no qual palestrou: “A cor do meu filho faz com que as pessoas mudem de calçada.” Considerando um exagero (será?), as pessoas fizeram até “meme” com a declaração da atriz.

Já a pequena Titi, menina africana e filha adotiva dos globais Bruno Gagliasso e Geovanna Ewbank, recebeu, juntamente com seus pais, tremendo apoio, também em rede, após ser desqualificada por uma socialite “insana” (será?).

Bem, você deve se lembrar disso. Aliás, você deve ter algo a contar sobre preconceito racial, se já sofreu ou se viu alguém sofrer com isso. Mas deixe eu lhe contar algo interessante que aconteceu comigo: nas últimas férias, meu marido e eu fomos à Jamaica. Jamaica? Sim… sim… E sim, lá é um lugar exótico e de belezas naturais de encher os olhos.

Continuando… No sábado pela manhã, fomos à igreja. Apesar de não dominarmos o idioma (um inglês bastante peculiar), queríamos estar ali e participar da reunião com eles. Estava muito quente e o prédio não dispunha de ar condicionado. Mesmo assim, os homens chegavam de terno e gravata (alguns étnicos, acredite!) e as mulheres até de chapéu. Parte da cultura deles ou não, fato é que estar na igreja pareceu-me um evento de gala para aquelas pessoas. Fiquei positivamente impressionada.

Mas o que mais me chamou a atenção foi o fato de a gente não se sentir tão à vontade ali. Um pouco já era de se esperar, pois nos comunicávamos superficialmente e, pela primeira vez, nós éramos os “diferentes”. Nada em nós era semelhante: nem a linguagem, nem a vestimenta, nem a cor, nem o estilo… nada, absolutamente nada, a não ser que todos ali éramos filhos de Deus – o que nos tornava irmãos, certo?

De repente, uma menininha linda, com o cabelo todo enfeitado de lacinhos em cores vivas abriu os braços para mim e pediu colo. Isso mesmo! A mãe olhava desconfiada enquanto eu a pegava. Já ela me olhava fixamente e sorria; passava a delicada mãozinha nas mãos do meu marido e também em seu rosto. Estaria encantada pelos visitantes? Porque nós estávamos por ela.

Talvez a mãe estivesse sem graça e por isso insistia em buscar a menina que, por sua vez, insistia em voltar e me abraçar. Por fim, a mãe entendeu que as diferenças que a gente carregava eram atrativas e não repulsivas para a criança. A mãe se deslocou e levou uma toalhinha para secar o suor do rosto da menina; levou também água… tudo enquanto permitia que ela se mantivesse em meu colo.

Estava realmente quente e eu também suava muito por mim e por aquela menina que não saía dos meus braços. Mas nada era maior do que o calor que aquecia o meu coração e o do meu marido. E foi então que eu me lembrei da sabedoria de Jesus, que jamais rejeitou as crianças, e ainda nos incentivou a ser como elas: “Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos Céus” (Mateus 18:3).

Ela era tão miúda ainda que talvez nem entendesse muito bem o que estava fazendo ali. Contudo, ela já vivia profundamente segundo a essência do cristianismo, que é amar sem distinção, é chegar perto, é oferecer conforto… é abrir os braços.

Confesso que saímos de lá sem compreender muito bem as palavras do pregador, mas com que lição de amor aquela bebê jamaicana nos agraciou naquela manhã!

Agatha Lemos é editora associada de Vida e Saúde

 

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