Correndo atrás do vento

É bom lembrar que a vida, em sua essência, vai além das coisas materiais

Thomas é um taxista natural do Texas, EUA. Ele é conhecido entre os colegas de profissão como aquele indivíduo que não para. Certo dia, um de seus colegas lhe perguntou: “Thomas, você é uma máquina, hein? Por que toda essa correria?” Ele respondeu: “Quero sempre mais. Quanto mais eu tiver, mais posso gastar.” A surpreendente resposta de Thomas reflete o estilo de vida de muitas pessoas.

Os tempos modernos impõem às pessoas um ritmo de vida que as escraviza. Nosso cotidiano tem mostrado que as pessoas estão cada vez mais em um ritmo acelerado em busca de coisas. A impressão que fica é de que se trata de um sistema ao qual todos devem se adequar. São seres humanos imersos em um mercado extremamente competitivo. Daí a correria de todos.

Um dos elementos responsáveis por essa “escravidão” é o consumismo. À semelhança de Thomas, nosso amigo taxista, muitas pessoas querem ter mais, para gastar e consumir mais. Ou seja, para muitos, a vida encontra seu verdadeiro sentido no consumismo.

A vida moderna transmite a ideia de que a realização das pessoas, bem como sua felicidade só podem ser encontradas nas posses materiais. E muitos, lamentavelmente, fazem disso o fundamento de sua existência.

Há cerca de dois mil anos, o apóstolo Paulo escreveu: “Não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente” (Romanos 12:2, NAA). Nessas palavras, o conformar-se tem o sentido de amoldar-se. Ou seja, adaptar-se ou ajustar-se a uma moldura estabelecida. A palavra século tem o significado de época. Ou seja, o sistema de coisas que caracteriza nosso tempo. Em outras palavras, o conselho de Paulo é que não devemos nos ajustar a essa moldura. John Matheus, teólogo norte-americano, escreveu: “O materialismo ocorre quando o desejo por riquezas e posses se torna mais importante e valioso do que as realidades espirituais. Bens podem ser valiosos, mas seu valor não deve nos possuir. Esse é o problema de desejar as coisas deste mundo [século]: não importa quanto obtenhamos, nunca será suficiente! Esforçamo-nos cada vez mais para obter cada vez mais algo que nunca consegue nos satisfazer. Essa é uma grande armadilha.”

Queiramos ou não, somos bombardeados diuturnamente pelo consumismo. Ele, com sua sensualidade provocada pelo mundo publicitário, nos leva a um ritmo de vida cada vez mais acelerado. Compete a nós dominá-lo.

E nessa correria, a saúde, em todos os seus aspectos, é extremamente danificada. Claro, devemos buscar novas conquistas em nosso cotidiano. Adquirir bens faz parte dos objetivos e metas da vida. Para isso, o mercado de trabalho demanda, a cada dia, profissionais mais bem qualificados; sempre que possível, devemos usufruir o melhor do que é produzido. Entretanto, é bom lembrar que a vida em sua essência não está no que se consome. O sentido da vida humana vai além dessa “moldura” implantada por este século. Até porque, “a vida de uma pessoa não consiste na abundância dos bens que ela tem” (Lucas 12:15, NAA).

Nerivan Silva é editor associado de Vida e Saúde

 

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