Essência

Sempre achei tão fascinante quanto difícil entender Física. Lembro-me de que essa foi uma disciplina em que me esforcei o triplo. Certa vez, decidi que tiraria um dez nessa matéria. O professor até que facilitou, deixando os alunos resolverem questões em duplas. Por sorte, eu era amiga de uma oriental. Bem, já dá para imaginar como eu me saí, não é? Mas ela não fez tudo sozinha, não. Eu realmente me dediquei e consegui, ponto a ponto, conquistar um dez em Física.

A teoria do tudo

Muito tempo se passou e, de repente, me vi atraída pela Física, dessa vez teórica; um hobby. Tudo começou com a leitura da biografia de Einstein. Confesso que precisei ler inúmeras vezes sobre suas descobertas. Pulei de um assunto a outro, de um físico a outro, e acabei me impressionando com a teoria das cordas, a teoria do tudo.

A teoria das cordas seria uma tentativa de unificar a teoria da relatividade com a mecânica quântica. De acordo com a teoria das cordas, a partícula final dos átomos seria, na verdade, formada por pequenos filamentos de energia semelhantes a pequenas cordas vibrantes.

E o que isso tem que ver com a existência do mundo e do cosmos? Bem, imagine as cordas de um violão. Agora pense nas infinitas notas e vibrações que essas cordas podem produzir a partir do toque. Então, essas cordas (as da teoria) estariam vibrando em diferentes padrões (como é possível com as do violão), com frequências distintas, produzindo as mais variadas partículas que compõem o mundo e o Universo.

Considerando as possibilidades de todas as partículas que formam a matéria serem formadas por apenas uma entidade, todas elas poderiam ser explicadas por apenas uma teoria. É por isso que a teoria das cordas também pode ser chamada de teoria de todas as coisas (Theory of Everything – TOE).

A história é longa… E tudo isso é complexo, tanto que a teoria ainda não foi definitivamente provada. Sua confirmação depende de uma tecnologia ainda mais avançada do que a que temos hoje.

 Essência

Sou apenas uma grande curiosa, mas fico feliz por saber que, enquanto eu escrevo este texto, ou vou ao supermercado, alguma mente matematicamente brilhante tem pensado em coisas extraordinárias sobre o Universo, coisas que não sabemos que estão aí, mas que têm muita influência sobre nossa existência e muito mais sobre nossas origens.

Já que me cabe apenas refletir e sutilmente filosofar sobre tudo isso, tentando acrescentar sentido à vida, me pego pensando no que seria a essência disso tudo. Digo, a essência dessa possível teoria, a essência das mentes que trabalham com física teórica, a essência do conhecimento que está aqui e ali, mas que só passa a existir a partir da observação de alguém.

Penso que a essência de tudo é a sabedoria e que a sabedoria faz parte da essência de Deus. Pois bem, para mim, o que fica da física teórica não são exatamente cálculos nem a capacidade de desenvolver um pensamento cartesiano. Ao contrário, sinto-me profundamente tocada pela maestria de um Criador que articula perfeitamente as leis que dão sustentação a um universo muito além daquele que eu posso enxergar.

Um Deus tão grande assim me traz segurança. Quando leio Gênesis 1, fico maravilhada com toda a física implícita no relato da criação; física que se encontra nos mínimos detalhes, como até naquilo que devemos comer. “E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a Terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento” (Gênesis 1:29).

Certamente, Ele sabe o que é necessário para o bom funcionamento da vida, nos planos macro, micro ou simplesmente humano.

Ágatha Lemos é editora associada de Vida e Saúde

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