O olhar do bem

Que tal deixar alguma motivação visual disponível hoje?

Certa vez, li que a gente devia manter uma fotografia de algo bom sempre à vista, num chaveiro, no espelho do banheiro ou em algum lugar bastante visto. Isso traria boas sensações e até motivações, quando mais fosse preciso. Resolvi testar.

Tinha terminado um delicioso ciclo da vida, recheado de relacionamentos e eventos marcantes: a faculdade. Por isso foi difícil ficar apenas com uma foto. Então, preenchi toda a porta do meu guarda-roupa com fotografias de viagens com o pessoal do coral universitário, shows de talentos, torcidas em gincanas, e durante o trabalho na cozinha e na biblioteca que me garantiram a bolsa de estudos. Por fim, coloquei fotos das temáticas festas da amizade promovidas a cada ano pelo grêmio estudantil. Quanta coisa boa aquelas fotos traziam à lembrança!

Acontece que com o passar do tempo acabei me acostumando com aquelas imagens e elas foram perdendo sua força. Não deixavam de ser especiais, mas me acostumei a elas.

Aí fui lembrada novamente do poder das boas sensações que uma foto singular pode ter, quando escolhi o cartão fidelidade de uma rede de supermercados que tinha um bebê de mais ou menos oito meses sorrindo e com e os olhos apertadinhos. Um daqueles momentos sublimes que duram frações de segundos capturados pela lente da câmera. Eu nem conhecia aquele bebê, mas sua figura me trouxe alento muitas vezes. Ele me fez pensar na bondade que ainda existe num dia em que fui tratada com rudeza. Ajudou-me a acreditar que existe amor desinteressado quando me senti esquecida. Lembrou-me de que, apesar dos momentos duros da vida, é possível ter leveza nas coisas aparentemente pequenas e corriqueiras do dia a dia; leveza que nos ajuda a seguir em frente e atravessar dias mais acinzentados.

Uma canção da cantora Marisa Monte diz que “sou a criatura do que vejo”. Na segunda carta escrita por Paulo aos coríntios, é dito: “Ao contemplarmos […] somos transformados” (2 Coríntios 3:18).

Aquilo que escolho ver e ouvir tem poder para moldar meu caráter, sensibilizar ou dessensibilizar, adormecer ou despertar minhas capacidades intelectuais e até espirituais.

Quem não se deprime quando liga o noticiário num desses programas sensacionalistas, que exagera na exposição da desgraça humana? Quem não fica tenso assistindo a um episódio de uma série sobre crimes, ou uma outra de terror?

Por outro lado, caminhar por um lugar cheio de árvores e pássaros traz calma e paz. Faz-nos refletir no cuidado do Criador. Olhar o céu estrelado me faz pensar na grandeza do Deus em quem acredito. Meu coração se enche de esperança quando leio uma notícia sobre uma comunidade carente recebendo sopa e sanduíche de um grupo de pessoas que deseja fazer o bem.

Nem sempre podemos evitar as situações ao nosso redor, mas podemos criar condições de esperança para seguir em frente.

Se você anda precisando de uma dose de otimismo para ser melhor para você e para os que estão por perto, que tal deixar alguma motivação visual mais disponível hoje? Seja feliz.

Teru Gouveia é apresentadora do programa Vida & Saúde, da TV Novo Tempo

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