Saúde mental

Há muita gente dependente de medicamentos psiquiátricos, como tranquilizantes, antidepressivos, indutores do sono, estabilizadores do humor, entre outros. Os remédios são importantes e têm seu lugar e momento no tratamento de certas doenças mentais. Porém, é importante entender que eles não curam a causa do sofrimento. É possível melhorar e adquirir saúde mental a partir da mudança de atitudes para consigo mesmo e para com os outros.

Um dos passos importantes para quem sofre mentalmente é lutar contra os pensamentos de tristeza, desconfiança, ansiedade, e cultivar esperança, simpatia, amor equilibrado por si e pelo outro. Muitos procuram ajuda especializada e correm o perigo de ficar dependentes dela. Faço, então, uma advertência: não se permita ficar dependente quanto à cura mental. Nenhum ser humano pode curar outro ser humano. Não se submeta a qualquer técnica, se ela torna você submisso ao domínio de outra pessoa e instrumento passivo nas mãos dela. A fonte da cura profunda não é outro ser humano.

Isso não significa que você deva evitar a psicoterapia e o terapeuta. Não se trata disso. A terapia é importante, contudo ela não deve tornar ninguém dependente de outro alguém, ainda que especializado. Aliás, o bom profissional, logo no início do atendimento psicoterapêutico incentivará seu cliente a agir com independência dele. Sabiamente, ele colocará as ferramentas de recuperação nas mãos do paciente o mais cedo possível.

Cada pessoa que sofre emocionalmente precisa se lembrar de que possui uma consciência, tem liberdade de escolha e inteligência, por isso é capaz de pensar, de aprender a lidar com as emoções, ainda que sejam as mais difíceis. Sim, eu e você podemos aprender!

Há trabalho a ser feito em favor de cada pessoa que luta com suas dores emocionais, e ele não pode ser substituído pelo médico, psicólogo, nem por medicamentos (mesmo os naturais). O trabalho é seu: olhar seus pensamentos e sentimentos e analisar se eles têm base na realidade, se são coerentes, e decidir lutar contra os que não são razoáveis, que o afundam na ansiedade excessiva e no estado depressivo.

Creio que liberdade benéfica em saúde mental não é pensar, sentir e fazer o que se quer, mas é pensar, sentir e fazer o que produz real bem-estar, serenidade, vitória sobre o estado depressivo, enfrentamento das compulsões, redução da ansiedade. Isso depende muito de onde a pessoa se concentra, no que ela mais pensa, e de suas atitudes.

Saúde mental tem muito que ver com fazer algo que contribua para aliviar o sofrimento de outra pessoa, em vez de ficar ocioso ou trabalhando egoisticamente para o acúmulo de bens materiais. Não perca seu precioso tempo com causas fúteis. Quando ocorrer uma provação difícil em sua vida, em vez de ficar lamentando, praguejando e se amargurando, pergunte-se: o que posso aprender com isso?

É verdade que é necessário esforço para mudar, mas é possível. Muito da sua felicidade depende de fixar a mente em coisas animadoras, e resistir aos pensamentos trágicos, pessimistas, que levam à tristeza e ansiedade. Olhe quanta coisa boa já ocorreu em sua vida! Seja grato por isso e fale de gratidão.

Mas, lembre-se de que a mudança emocional não é rápida. Não se corrige em poucas semanas as consequências de anos de tendência negativa do pensar e sentir. Sim, pode haver recaída, mas levante-se e recomece com o que você já sabe que o ajuda.

Cesar Vasconcellos de Souza

www.doutorcesar.com.br

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