quarta-feira, 27 outubro

Em plena pandemia causada pela Co- vid-19, muitos têm a impressão de que as outras doenças não mais existem, o que é um erro, evidentemente. Várias delas continuam ceifando vidas, como acontece com o câncer de mama, por exemplo. Neste ano, decidimos não esperar o Outubro Rosa chegar para apresentar as novidades no tratamento dessa doença que assombra as mulheres de todo o mundo.

Câncer é uma palavra tão assustadora que muitos sequer a pronunciam. A ideia de um aglomerado de células crescendo descontroladamente no corpo é intimidadora, mas o choque é ainda maior quando a região acometida é o símbolo de ternura, beleza e feminilidade para as mulheres: o seio. A temida doença mutiladora hoje pode ser diagnosticada precocemente, havendo a possibilidade de cura. Então, em lugar de receios, a ideia é declarar guerra à doença e estar preparada para vencer! Falando em guerra, uma boa estratégia para vencer um inimigo é conhecer o máximo que puder sobre ele.

Conhecendo o inimigo

O câncer de mama é o tumor maligno mais incidente em mulheres. Mas o que é o câncer, afinal? Ele é caracterizado pela presença de células anormais que passam a ter crescimento desordenado. Em seu funcionamento normal, o corpo substituiu as células velhas por células novas e saudáveis, mas, quando ocorre uma mutação genética, a habilidade da célula de manter sua divisão e reprodução sob controle pode ser alterada, produzindo células em excesso, resultando em tumor.

Segund

o a Sociedade Brasileira de Mastologia, um tumor pode ser benigno (não perigoso para a saúde) ou maligno (canceroso). A característica mais assustadora desse temido inimigo é sua capa-cidade de causar metástase, ou seja, a migração das células cancerígenas para outras partes do corpo, promovendo a formação de tumores que afetam e comprometem os demais tecidos e órgãos, podendo rapidamente levar a pessoa a óbito.

Apresentações do câncer de mama

O câncer de mama pode ser do tipo Carcinoma in situ, quando não há risco de invasão e metástase, com chances de cura de aproximadamente 100%, ou Carcinoma invasor, mais frequente e com capacidade de

 desenvolver metástases. É importante saber que mesmo os tumores invasivos podem ser curados, se o diagnóstico for estabelecido em fase precoce.

Detectando o inimigo

Os sintomas do câncer de mama variam conforme o tamanho e o estágio do tumor. A maioria dos tumores da mama, quando iniciais, não apre- senta sintomas. Caso o tumor já esteja perceptível ao toque do dedo, é sinal de que ele tem cerca de 1 cm³, modificando as chances de cura. Por isso é importante fazer os exames preventivos na idade adequada, antes do aparecimento dos sintomas da doença. Assim, ao notar qualquer uma das alterações abaixo, procure um mastologista para fazer uma avaliação:

Nódulo na mama

Inchaço em parte da mama semelhante à casca de laranja

Irregularidades ou retrações na pele da mama

Dor ou inversão do mamilo

Vermelhidão e descamação do mamilo, ou na pele da mama

Saída de secreção pelo mamilo, particularmente se for sanguinolenta ou translúcida

Nódulo nas axilas

Hora do combate

Receber o diagnóstico de um câncer de mama não é fácil, e é importante buscar forças no apoio familiar e espiritual para vencer essa luta. O tratamento depende da fase em que a doença se encontra (estadiamento) e do tipo do tumor. Pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormoniote- rapia e

 terapia biológica (terapia alvo).

Quando a doença é diagnosticada no início (Fase I), o tratamento é mais promissor, com expectativas de 95% a 100% de cura. Infelizmente, no Brasil, 45% dos casos di

agnosticados já estão em fase avançada do câncer.

 No caso de a doença já possuir metástases (Fase IV), as estimativas são baixas – apenas 15% reagem com resposta curativa; assim, o trata- mento visa a prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida.

Mitos e verdades sobre os tratamentos

A Oncologia evoluiu muito nas últimas décadas, especialmente na variedade de tratamentos, diminuição de efeitos colaterais durante esse pro- cesso e no estudo das células tumorais. Entretanto, ainda existem muitos mito

s sobre o assunto, e para esclarecer algumas dúvidas procuramos um especialista para dar informações precisas. O Dr. Douglas Soltau Gomes é mastologista e atualmente compõe o corpo clínico do Centro de Oncologia do Oeste do Paraná (COOP).

Quais os principais avanços no tratamento do câncer de mama?

Creio que os principais avanços nos últimos anos foram na personalização do tratamento. Quanto ao tipo de cirurgia, todas eram submetidas à mastectomia radical. Hoje a individualização de cada caso permite, em fases iniciais, cirurgias menos agressivas, além de um melhor resultado estético.

Ainda, a possibilidade que temos hoje de conhecer especificidades biológicas e genéticas do tumor em questão nos permite administrar ou contraindicar medicamentos e tratamentos mais específicos, maximizando a resposta curativa e diminuindo os efeitos adversos. A última fronteira no tratamento medicamentoso dos tumores da mama consiste em estimular, em casos selecionados, o próprio sistema imune a trabalhar mais fortemente contra as células do câncer.

Quais os principais mitos relacionados ao tratamento e à cura do câncer de mama hoje?

A notícia de que um único tipo de exame fará o diagnóstico de todos os tipos de câncer, ou de que uma planta será capaz de matar todas as células cancerígenas é tentadora, mas, infelizmente, ainda não é real. Por outro lado, entendo que os piores mitos são aqueles que, de alguma forma, desacreditam exames e tratamentos comprovadamente eficazes, como a mamografia e a quimioterapia, as quais, no momento, são as mais eficazes em melhorar as chances de vida das mulheres com câncer de mama.

Pensando na importância do tratamento adequado para evitar a evolução de cada tipo de câncer, quais as principais dicas para não cair em “ciladas”?

O estudo do câncer de mama está em constante evolução, mas nem tudo o que é pesquisado ou publicado está maduro o sufi ciente para ser utilizado. Um exemplo é a cri

oablação, procedimento minimamente invasivo que congela as células tratadas, amplamente divulgado pelas mídias sociais em virtude de promessas curativas, ao ponto de tornar a mastectomia desnecessária. Certamente seria uma mudança de paradigma, não é mesmo? O problema é que ainda faltam estudos mais amplos que comprovem a eficácia. Por isso, a melhor dica para evitar ciladas é buscar fontes de informação confiáveis, como sites de instituições ou profissionais de saúde especializados em oncologia e veículos de comunicação com uma linha editorial comprometida com a ciência, como a revista Vida e Saúde; lembrando sempre que cabe à equipe multiprofissional de saúde selecionar quais tratamentos são mais relevantes cientificamente e estão de fato aptos para ser colocados na prática clínica.

Convivendo com o inimigo

A solidão pode ser um sentimento assolador, mas lembre-se de que você não está sozinha. Peça ajuda, cuide do fator emocional com a ajuda de centros e locais que ofereçam apoio. Converse com suas amigas e colegas sobre a importância da prevenção para que mais mulheres estejam preparadas para vencer a guerra contra o câncer de mama.

O CÂNCER DE MAMA EM NÚMEROS

A cada quatro tipos de câncer em mulher, um é de mama (OMS).

Lidera o ranking mundial de mortalidade em mulheres. Dois milhões de novos casos e 627 mil óbitos pela doença no mundo (Globocan, 2018).

No Brasil, em 2020, foram 66.280 mil novos casos (30% dos cânceres em mulheres – Inca).

No Brasil, em 2019, foram 18.295 mortes, sendo que as maiores taxas foram observadas nas regiões Sul e Sudeste.

 

Links úteis: Insti tuto Nacional de Câncer (Inca): www.inca.gov.br

Insti tuto Brasileiro de Controle do Câncer: www.ibcc.org.br

Sociedade Brasileira de Mastologia: www.sbmastologia.com.br

Centro de Oncologia do Oeste do Paraná (COOP): http://clinicacoop.com.br

Canal do Dr. Douglas Soltau Gomes: www.youtube.com/drdouglasgomes

 

Referências: INCA. A situação do câncer de mama no Brasil: síntese de dados dos sistemas de informação. Insti tuto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva – Rio de Janeiro: 2019 INCA. 2014-2019 Global Cancer Observatory (Globocan) 2018 Organização Mundial da Saúde (OMS) Sociedade Brasileira de Mastologia

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