sábado, 28 maio

Fomos feitos para o movimento, e isso é sinônimo de muita saúde Pablo Uilquer Alves Wincler 

Envelhecer é um processo natural pelo qual todos passamos. Não há como negar que o tempo enfraquece o organismo e fragiliza o corpo. Bem, isso é o que todos pensamos a respeito do envelhecimento. Achamos que, quando se passa dos 30-40 anos o corpo já não mais é o mesmo. E quando se tem 60 anos então? Vemos como algo normal as dores e os problemas de saúde que muitas pessoas têm nessa idade.

Não é justo chegarmos ao momento da vida em que estamos mais experientes, temos mais estabilidade e liberdade financeira para aproveitar bons momentos com a família e os amigos, e não desfrutar mais da mesma saúde e disposição de quando éramos jovens.

É exatamente isso que vemos acontecendo com muitas pessoas ao nosso redor. Preste bem atenção e veja que a grande maioria delas possui um estilo de vida sedentário: ficam a maior parte do tempo sentadas, fazendo uso excessivo do celular e da TV, além de só se locomoverem utilizando veículos. O sedentarismo se tornou um problema tão grave, que é hoje o maior causador de doenças e mortes no mundo, pois esse estilo de vida enfraquece o organismo, tornando-o cada vez mais doente.

Se você também faz parte desse crescente número de pessoas sedentárias, então a partir de agora lhe mostrarei alguns motivos pelos quais precisará realizar uma mudança de hábitos, e escolher um novo caminho para mudar de vida e se tornar uma pessoa mais saudável e feliz.

Sabia que existe um remédio natural capaz de reverter a degradação causada pelos anos (alguém falou em “fonte da juventude”?) E promover a boa saúde? Sim, ele existe! E se chama exercício físico.

Se procurarmos no dicionário a definição para o termo “remédio”, veremos que seu significado pode ser entendido como “1. substância ou recurso utilizado para combater uma dor, uma doença; 2. o que serve para aplacar sofrimentos morais, para atenuar os males da vida.” Pois é exatamente isso o que o exercício faz! Na verdade, ele vai muito além dessa definição.

 

Para você entender o que estou dizendo, uma grande revisão de literatura feita em 2015 revelou que o exercício físico pode ser prescrito para o tratamento de 26 doenças crônicas diferentes, sendo elas: doenças psiquiátricas (depressão, ansiedade, estresse, esquizofrenia, demência, doença de Parkinson, esclerose múltipla); doenças metabólicas (obesidade, hiperlipidemia, síndrome metabólica, ovário policístico, diabetes tipo 1 e tipo 2); doenças cardiovasculares (apoplexia cerebral, hipertensão, doença coronariana, insuficiência cardíaca, claudicação intermitente); doenças pulmonares (doença pulmonar obstrutiva crônica, asma, fibrose cística)

doenças musculoesqueléticas (osteoartrite, osteoporose, dor nas costas, artrite reumatoide) e câncer. Esse megaestudo comprovou que não somente as pessoas saudáveis se beneficiam do treinamento físico, mas, principalmente, as doentes; e quanto mais doente o indivíduo estiver, mais precisará do exercício para melhorar sua saúde. Como você acabou de ler, são tantas as doenças que podem ser tratadas com o exercício, que é impossível descrever detalhadamente todas elas aqui neste artigo. Então, decidi dar destaque a uma doença que vem crescendo assustadoramente e já atingiu todas as idades e classes sociais, como consequência da vida sedentária. Estou falando de sobrepeso e obesidade. A seguir mostrarei os perigos de estar nessa condição e como ela é uma porta de entrada para outras doenças. E o mais importante: mostrarei como o exercício é eficiente para reverter esse problema e promover grande melhora da saúde. Mas quais exercícios são os mais indicados para melhorar a saúde e o tratamento de doenças? Existem diversas atividades esportivas e modali-dades de exercício, mas aqui vamos nos concentrar nos treinamentos aeróbico, aeróbico intervalado e na musculação, porque são atividades de baixo risco de lesões (quando bem planejadas) e acessíveis para a grande maioria das pessoas.

Aeróbico contínuo

Podemos caracterizá-lo por exercício físico sem intervalo de descanso durante a sessão, realizado por movimentos cíclicos, como, por exemplo, corrida, ciclismo e natação. Os treinos podem ser realizados em alta ou baixa intensidade, sendo de curta ou longa duração.

Treinamento aeróbico intervalado

Ainda caracterizado como aeróbico, o intervalado é um pouco diferente porque alterna períodos de grande esforço (tiros) com períodos de recuperação ou esforço baixo. Além dos mesmos exercícios utilizados no aeróbico contínuo, pode também ser praticado em forma de circuitos, com maior variedade de movimentos.

Musculação

Também chamada de treinamento de força, basicamente é um tipo de exercício em que o praticante tem que vencer uma resistência, podendo ser um peso livre ou máquina de academia, um elástico ou seu próprio peso corporal. Está entre as atividades mais seguras do mundo, por ter baixo impacto e movimentos bem controlados.

Agora que você tem uma noção de como é cada uma dessas três modalidades, vamos lhe mostrar o que elas são capazes de proporcionar para quem busca sair do sedentarismo e da obesidade, e ter bons resultados em termos de saúde e emagrecimento.

Musculação e emagrecimento

Você já ouviu dizer que, para emagrecer é necessário primeiro perder a gordura fazendo exercício aeróbico para, então, ganhar músculos? Esqueça isso. Os dois processos acontecem ao mesmo tempo na musculação.

Ela é extremamente eficiente no aumento da massa muscular e na perda da gordura, melhorando a aptidão física, com aumentos expressivos na força e potência muscular. É uma atividade tão incrível, capaz de ensinar o corpo a preservar a massa magra e dispensar a gordura, e é especialmente importante para portadores de excesso de peso e obesidade. Mas é fundamental que seja praticada em alta intensidade.

É muito importante que não haja preocupação em primeiro lugar com o peso que se vê na balança, mas, sim, com o percentual de gordura perdido e massa magra conquistada, pois esses, sim, são marcadores reais de saúde. Esqueça o peso da balança.

E se combinarmos na rotina aeróbico e musculação? O grande pesquisador da área de exercício e saúde William Kraemer realizou um estudo com duração de três meses, comparando o efeito da dieta combinada com o exercício. Para isso ele contou com a participação de homens com sobrepeso. Eles foram organizados em quatro grupos distintos: um que fazia apenas dieta; outro que fazia dieta com exercício aeróbico; outro que combinava dieta, exercício aeróbico e musculação; enquanto o quarto grupo não fazia exercício nem dieta.

 

Sobrepeso e obesidade

Estamos atravessando uma epidemia mundial de obesidade. Você já percebeu que tudo vem evoluindo para não precisarmos mais nos esforçar para nada? Sempre achamos que essa evolução tecnológica das últimas décadas tornaria muito melhor a vida e nos traria mais tempo para fazer o que gostamos. Nunca foi tão fácil realizar as atividades diárias como hoje. Tudo o que precisamos está facilmente ao alcance de nossas mãos, sem o mínimo esforço.

Como se não bastasse, no mundo em que vivemos se consome em excesso alimentos ricos em gorduras, como carnes e leite integral, e muita comida processada, repleta de carboidratos refinados e gorduras, altamente calóricos.

Some ainda a tudo isso a falta de exercícios físicos e temos a fórmula perfeita para o ganho de gordura e surgimento de incontáveis doenças ligadas ao sedentarismo, como hipertensão, diabetes e até mesmo câncer.

Com exceção do quarto grupo, todos os três grupos perderam aproximadamente dez quilos durante a pesquisa. Somente o grupo que incluiu a musculação não perdeu massa muscular, somente gordura – e perder massa magra reduz o metabolismo e faz com que você perca força e ainda possa voltar ao peso de antes.

Não há dúvidas sobre a importância de se ter um programa de musculação na rotina semanal para obter os melhores resultados na perda de gordura e manutenção da boa saúde.

Uma vez por semana

O professor Dr. Paulo Gentil e sua equipe realizaram dois estudos para verificar quanta diferença havia se as pessoas treinassem apenas uma vez na semana sobre aquelas que treinavam duas vezes. Ambos os estudos foram realizados com homens jovens e tiveram duração de dez semanas, sendo que no primeiro foram pesquisados apenas indivíduos iniciantes, enquanto no segundo estudo eram indivíduos treinados. Para que os treinos fossem equivalentes, os dois grupos fizeram o mesmo treino, sendo que o grupo que treinou duas vezes realizou a metade dos exercícios em cada sessão.

Após as dez semanas de treino, no estudo com pessoas iniciantes não houve na força e massa muscular diferença significativa entre treinar uma ou duas vezes por semana. Já no estudo com os homens treinados, houve ganhos de massa muscular apenas no grupo que treinou uma vez por semana, ao passo que o grupo que treinou duas vezes não obteve ganhos na força e na massa muscular, porque acabavam treinando sem estar totalmente recupera-dos da sessão anterior. Esses dois estudos comprovam que a quantidade de treino realizado por semana não é o fator mais importante para se ter bons resultados, mas, sim, a qualidade e a intensidade.

O segredo está na força

A força muscular é a chave para a saúde e a qualidade de vida. As pessoas mais fortes vivem mais. Um dado recente mostrou que mais de 50% dos ido-sos sofrem pelo menos uma queda por ano, e essa queda pode ser fatal e trazer graves consequências para a saúde. Um idoso fraco (e a maioria esmagadora está nessa condição) que tropeça enquanto caminha não tem força muscular para recuperar o equilíbrio e evitar a queda. Portanto, se você é jovem, faça musculação e viva muito melhor; e quando estiver idoso, viverá uma vida mais tranquila e feliz. Se você é idoso e não faz ainda, comece hoje e recupere a força e a disposição que tinha na juventude. Pessoas que praticam exercícios frequentemente têm uma expectativa de vida média de cinco anos a mais do que os sedentários. Cuide do seu corpo. Você precisará dele para viver os sonhos que Deus tem para você.

Pablo Uilquer Alves Wincler

Professor de Educação Física e personal trainer

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