terça-feira, 21 maio


Segundo a Organização Mundial da Saúde, a doença pode chegar a mais cidades. Vacina e combate as mosquito são as únicas formas de prevenção.
Por Charlise Alves
O zumbido e a coceira da picada do mosquito viraram detalhes diante das doenças graves que o Aedes aegypti pode transmitir ao ser humano, sendo a bola da vez a febre amarela. O Diretor Clínico do Hospital Adventista de São Paulo (HASP), o infectologista Dorival Duarte, explica que a “febre amarela é uma doença infecciosa aguda, que agride o fígado, com o potencial de produzir complicações hemorrágicas e renais graves”. A febre amarela, como o próprio nome já diz, tem sintomas como os da febre e, em casos mais graves, pode deixar a pessoa com icterícia, ou seja, pele e olhos amarelados. “Isso se deve à hepatite induzida pelo vírus, que, pelo envolvimento do fígado, faz com que as pessoas fiquem ictéricas, uma implicação grave da doença”, explica o especialista.
Os primeiros registros de febre amarela em 2017 aconteceram no início de janeiro em Minas Gerais. O crescente número de casos na região vem gerando dúvidas sobre a doença, bem como uma corrida até as unidades de saúde em busca de imunização. A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um comunicado falando que a confirmação de casos em outros estados demonstra a disseminação geográfica do surto. A boa notícia é que nenhum dos casos atuais é de febre amarela do tipo “urbano”.
O tipo urbano é mais grave porque atinge a cidade, já a febre amarela do tipo “silvestre” fica restrita a alguns casos e não tem a mesma proporção. Mesmo assim, a OMS ainda aponta que o risco de transmissão nas cidades não pode ser descartado. 
Ciclo da transmissão
Qualquer um, a qualquer momento
Em depoimento a um programa televisivo, o médico das mídias, Dr. Dráuzio Varella, relatou como foi a infeliz experiência de contrair febre amarela em uma viagem ao Amazonas em 2004. Ele sentia muito frio, febre e cansaço. O Dr. Dráuzio admitiu ter cometido o grave erro de não ter tomado a dose de reforço da vacina ao viajar para uma área de risco.
Mesmo não tão conhecido, o vendedor André Maciel, 48 anos, também viveu maus momentos aos oito anos de idade, quando foi diagnosticado com a febre amarela por um médico na época em que morava na zona rural de Alpestre, RS. “Eu estava muito magro e não tinha apetite. Vomitava e dormia muito. Meus olhos e a minha pele chamavam a atenção das pessoas pelo tom amarelão”, recorda.
Transmissão
Os macacos são os principais hospedeiros do vírus. É importante frisar que o macaco não pode ser visto como vilão; ao contrário, são eles que nos avisam que o vírus está circulando numa região, nos ajudando a combater a doença. Os macacos, na verdade, são tão vítimas quanto os humanos. A morte desses animais é um dos primeiros sinais de que a febre amarela está em alguma região.
[box-destaque cor-box=”#f3e7ba”]Febre amarela
Transmissão: mosquitos haemagogus, sabethes e aedes aegypti

Tipos:
Silvestre (matas)
Urbana (cidades)
Prevenção:
vacina e
proteção contra
o mosquito
Sintomas:
Leves: febre, dor de cabeça, náusea e vômitos
Graves: problemas cardíacos, renais e hepáticos fatais
Pele amarelada: quando
a doença atinge o fígado
Período de incubação:
até uma semana
Vale ressaltar que o vírus da febre amarela não é transmitido de pessoa para pessoa, apenas pela picada de mosquitos infectados.[/box-destaque]
Prevenção
Existem duas formas de prevenção: a vacina e evitar a disseminação do mosquito Aedes aegypti, já que o inseto é o responsável pela transmissão da doença na área urbana. Mas quando falamos em evitar a proliferação do mosquito, mencionamos as medidas educativas de sempre, ou seja: não deixe água acumulada em ambientes destampados! Caixas d’água, latas e pneus contendo água limpa são ambientes ideais para que a fêmea do mosquito ponha seus ovos, de onde nascerão larvas que se tornarão novos mosquitos.
Medidas preventivas podem ajudar a combater não somente a febre amarela, mas também evitar outras doenças, como dengue, zika e chikungunya. A dica dada pelo especialista é “limitar o contato com o mosquito, por meio do uso de roupas de mangas compridas, mosquiteiros e o uso de repelente para ser aplicado nas roupas e nas telas protetoras das janelas”.
Dr. Dorival recomenda que a primeira medida preventiva seja a vacina para quem está viajando ou for viajar para as áreas de risco. A vacina é altamente imune e recomendada a partir dos nove meses até os 60 anos de idade.
O Ministério da Saúde garante que a vacina oferece 95% de eficiência e demora cerca de dez dias para garantir a imunização após a primeira aplicação. Pessoas com mais de cinco anos de idade devem ser vacinadas e receber a segunda dose após os dez anos. Depois disso, a pessoa fica imunizada pela vida toda. A vacina está disponível no sistema público de saúde e em clínicas particulares.
Mas atenção! A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não recomenda a vacina a pessoas com baixa imunidade, grávidas, acima de 60 anos e alérgicos a gelatina e ovo. Em situação de emergência, a vacinação desses grupos precisa ser avaliada por um médico. A vacina contra a febre amarela gera efeitos colaterais que, apesar de pequenos, podem ser graves.
[box-destaque cor-box=”#f3e7ba”]Principais sintomas
Os sintomas mais comuns de uma pessoa infectada pelo vírus podem aparecer
em até uma semana.
– Febre
– Forte dor de cabeça
– Dores musculares em várias partes do corpo
– Náuseas
Em formas mais graves, acrescentam-se:
– Fraqueza
– Persistência do quadro febril
– Dor abdominal
– Sonolência
– Vômitos
– Icterícia
– Manifestações hemorrágicas na pele e mucosas
– Podem ocorrer sangramentos nas gengivas, narinas e principalmente no âmbito gastrointestinal
Dráuzio Varella complementa que “a doença pode causar hepatite, prejudicar o funcionamento dos rins, do coração, provocando miocardite, mas o que domina mesmo são dores musculares muito fortes”.[/box-destaque]
Tratamento
Não há tratamento específico para a febre amarela. Os esforços se concentram no gerenciamento dos sintomas e na limitação das complicações. Segundo o portal do Ministério da Saúde, o tratamento é sintomático, isto é, atua somente em relação aos sintomas. O paciente deve permanecer em repouso, com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado.
“Não existe medicação antiviral específica e o tratamento é suportivo, com hidratação parenteral (pela veia), prevenção de hemorragias do tubo digestivo, transfusão de componentes sanguíneos e prevenção e tratamento das complicações”, diz o infectologista.
Para as pessoas que sobrevivem à febre amarela, a boa notícia é que, depois que se adquire a doença, a pessoa se torna automaticamente imune. “O paciente não adquirirá a enfermidade pela segunda vez”, garante Dorival Duarte.
Com relação ao diagnóstico, Duarte afirma que é possível ser feito pelo isolamento do vírus no sangue. “Também pode ser feito por biologia molecular que amplifica o genoma do vírus, o que permite um resultado mais precoce, ou pela determinação de anticorpos no sangue, o que se faz um pouco mais tarde”, explica.
O doutor Dorival ainda estima que mais de 50% das infecções não têm a manifestação de sintomas e não evoluem para a forma grave da doença. Os casos que evoluem para o óbito geralmente ocorrem em menos de dez dias.
Charlise Alves é jornalista

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *