domingo, 25 agosto

Ganhar ou gastar?

Texto por: Equipe VS 31 maio, 2019 Sem comentários

Comecei a pensar sobre o assunto já tem um tempo. Comprei uma secadora de roupas logo que meu primeiro filho nasceu, há alguns anos. Economizei bastante porque na época não era assim popular e nós éramos os únicos a ter uma daquelas no conjunto inteiro dos três prédios do nosso condomínio. Comecei a convencer o marido da necessidade da máquina porque a lavanderia ficava quase junto com a cozinha e as roupas no varal ficavam, bem… com aquele cheirinho de cebola refogada. Ele ainda achava que estaríamos gastando uma fortuna. Aí usei como argumento o tempão gasto em estender toda a roupa no varal e depois ter que recolher e passar peça por peça – até hoje considero um processo longo e demorado. Mas com a secadora seria “pá-pum”: era tirar da lavadora direto para a secadora e, dobrando as peças ainda quentinhas, não precisaria passar nada a ferro, e tudo isso em, no máximo, duas horas! Um sonho para qualquer dona de casa com criança de colo. É claro que eu ganhei a argumentação e ele inteirou o restante que faltava para comprar a bendita secadora.

Você sabe como é: a velha expressão “tempo é dinheiro” nunca valeu tanto quanto agora. Com certeza, aproveitamos mais os minutos do nosso dia do que nossos avós fizeram. Viagens que duravam dias ou meses de navio são feitas em algumas horas de avião. As roupas que eram deixadas a “coarar” ou “quarar” no sol para branquear, hoje recebem clareadores instantâneos. E o Fax, quem lembra? Dava para mandar papéis importantes para qualquer lugar com a velocidade de uma ligação telefônica. Hoje tudo é feito digitalmente sem papéis físicos ou assinaturas a caneta: sempre para economizar nosso tempo.

Bem, foi aí que comecei a pensar: Será? Não me entenda mal, sou muito feliz com todas as facilidades que temos hoje. As máquinas realmente poupam muito esforço e dilatam nossos dias, mas às vezes me questiono onde foi parar o tempo que economizamos com a tecnologia. Porque, quando esqueço algo importante – talvez por falta de acionar um dispositivo digital ou rede social para me alertar –, sempre acabo colocando a culpa na falta de tempo.

Às vezes, quando planejo os dias e me vejo perplexa diante das possibilidades e dos compromissos sem fim, sempre penso nas pessoas com uma vida mais desafiadora que a minha. Se eles dão conta, também preciso administrar. Veja o seguinte: tanto o pedinte sentado à beira da calçada esperando de mão aberta pelas moedas quanto a mãe atarefada que faz escalas em dois empregos e ainda dá conta da casa, bem como o homem mais importante do planeta – todos temos algo em comum: as mesmas 24 horas para gastar em um dia. Se poupamos tempo o tempo todo, agora o que estamos precisando mais é saber como gastar esse tempo.

Relações estão se desfazendo como fumaça, enquanto movemos rapidamente nossos dedos disparando mensagens do celular. As crianças estão conhecendo a vida através de telas, quando deveriam sujar um pouco as mãos com barro e sentir o cheiro do verde, quando se rola na grama de tanto brincar. Os mais velhos estão vivendo dias solitários asilados em suas casas, porque os filhos e netos não têm paciência para ouvir, rir e aprender de histórias que fariam sua vida cinza mais significativa e cheia de cor.

A vida passa correndo e o essencial mesmo é perceber o que ou quem vai ter mais do seu precioso tempo hoje. Essa escolha só você pode fazer. Que tal agora?  

Teru Gouveia é apresentadora do programa Vida e Saúde, da TV Novo Tempo

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