sexta-feira, 19 abril

A raiz do problema

Texto por: admin 23 junho, 2017 Sem comentários

Sem fundamentos éticos, a sociedade estará sempre enferma

Já há algum tempo, o Brasil, em seu cenário político e econômico, tem vivido situações extremamente constrangedoras em razão de procedimentos inadequados de alguns de seus líderes. Brasília, capital federal, por conta desses incidentes, tornou-se símbolo de corrupção. A repercussão internacional desses fatos tem deixado a impressão de que a nação brasileira não tem critério adequado para nomear seus representantes. Onde reside o problema?

A questão vai além de uma conjuntura política. É bom lembrar que as funções públicas são exercidas por seres humanos. E, obviamente, eles se tornam representantes dos princípios éticos e morais que tais funções se propõem a defender.

Estamos vivendo em uma sociedade que sinaliza diariamente forte processo decadente no que se refere aos valores morais e espirituais. E, de fato, um edifício sem alicerce, certamente se tornará em ruínas. Diariamente, nos meios de comunicação, estamos lendo e ouvindo frases como estas: “Queremos um Brasil melhor”, “Lutemos por uma sociedade mais justa”, “Vamos combater a corrupção” e outras. Entretanto, elas não passam de uma utopia se não estiverem recheadas com princípios éticos.

Lamentavelmente, por conta do dinheiro, da fama, da popularidade, etc., os fundamentos éticos e espirituais de muitas pessoas têm se tornado em ruínas que afetarão negativamente as próximas gerações. Há muitos séculos, o salmista fez a seguinte pergunta: “Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?” (Salmo 11:3). Ellen G. White, autora norte-americana, afirmou: “O futuro da sociedade é indicado pelos jovens de hoje. Neles vemos os futuros mestres, legisladores e juízes, os líderes e o povo que determinam o caráter e destino da nação. Quão importante, pois, é a tarefa dos que devem formar os hábitos e influenciar a vida da geração nascente” (Mente, Caráter e Personalidade, v. 1, p. 4).

Para muitos, valores como honestidade, ética, prudência, amor ao próximo e outros, são coisas do passado e estranhos a um mundo cada vez mais tecnológico e “científico”. Mas é exatamente aí que reside o problema.

Anos atrás, John Gosson se dirigia de moto a uma oficina de carros em Syracuse, Nova York. Ele havia lido um anúncio de uma Honda; queria dar uma olhadinha e, quem sabe, comprá-la. Sem que ele percebesse, o vento abriu o bolso de sua jaqueta, que continha 7.500 dólares – suas economias dos últimos sete anos. As notas se espalharam pela rodovia. Os motoristas que passavam, pararam e se serviram daquela “chuva de dinheiro”. Um motorista honesto, que conseguiu recolher 3.120 dólares, devolveu-os a Gosson. Outro, contudo, acrescentou um insulto ao dono, não apenas por ficar com o dinheiro que havia recolhido, mas ainda mandando ao infeliz jovem um cartão-postal ofensivo, no qual se gabava de ter passado “férias pagas” na Califórnia. O cartão dizia: “Eu me senti no sétimo céu, juntando e guardando aquele troquinho na rodovia, o qual, segundo descobri, pertencia a você.”

Se fôssemos aqueles motoristas, o que teríamos feito? Teríamos agido como a maioria ou como aquele único motorista que devolveu o dinheiro recolhido? De fato, parece que a saúde nos aspectos éticos e morais está em baixa na vida de muita gente. O que não podemos esquecer é que a mudança do mundo começa no interior de cada pessoa. Jamais teremos um Brasil melhor, mais justo e mais ético, se isto não começar no coração de cada brasileiro.
E você?

Nerivan Silva é jornalista

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