quarta-feira, 29 maio

Do outro lado dos trilhos

Texto por: admin 6 janeiro, 2017 Sem comentários

Como imaginamos, nem sempre a grama do vizinho é mais verde

Os últimos anos têm sido marcados por fortes doenças que atingem as pessoas em toda a sua estrutura emocional. Muitos problemas psicológicos manifestam-se com relação ao excesso de alimento (obesidade) ou revulsão (anorexia); tiques nervosos e colapso.

O Dr. Karl A. Menninger, renomado psiquiatra e fundador do famoso Hospital dos Veteranos em topeka, Kansas, EUA, ministrava uma palestra sobre saúde mental, quando alguém perguntou: “O que o senhor aconselharia que uma pessoa fizesse, se ela sentisse que estava a ponto de ter um colapso nervoso?” Para surpresa de seu auditório, ele respondeu: “Tranque a porta de sua casa, atravesse os trilhos da estrada de ferro; encontre alguma pessoa que esteja passando por necessidades, e realize alguma coisa para ajudar essa pessoa.”

A expressão “atravessar os trilhos da estrada de ferro” ou “do outro lado dos trilhos” surgiu na metade do século XIX, nos EUA, quando as empresas ferroviárias da América do Norte estavam construindo as grandes ferrovias que atravessam aquele continente. Enquanto avançavam pelo interior, era comum que cidades fossem surgindo aqui e ali, ao longo dos trilhos. Os membros mais abastados da comunidade geralmente moravam de um lado dos trilhos, enquanto os menos afortunados costumavam morar do outro lado.

Está você deprimido? Parece que tudo está escuro e sombrio? Observe, investigue, se for o caso. Certamente, você vai encontrar pessoas com necessidades maiores do que as suas. Henry, um jovem de 19 anos, vivia numa pequena cidade, no interior da Escócia. Ele nasceu numa família muito carente. Seus pais, logo cedo, tiveram que deixá-lo aos cuidados dos avós para buscar o sustento da família. A infância de Henry não foi das melhores. Ele cresceu com algumas cicatrizes emocionais impostas pelo tipo de vida que teve em família.

Finalmente, ele conseguiu, depois de muito esforço, concluir o curso de engenharia eletrônica. Durante algum tempo, as lembranças amargas de sua vida triste e melancólica vinham à sua mente. Henry acabava sendo bombardeado pela depressão. Certo dia, supervisionando os equipamentos eletrônicos de um hospital na cidade de Glasgow, Escócia, ele conheceu John, um paciente daquele hospital. Henry descobriu que a situação de John era bem mais triste do que a sua. Decidiu que o ajudaria de alguma forma. Passou a visitá-lo com mais frequência.

Quando John saiu do hospital, Henry continuou o contato com ele e, com o tempo, percebeu que a amargura de sua infância era uma montanha vencida. Um dia de domingo eles combinaram um almoço num restaurante. Durante o almoço, John disse: “Henry, tenho algo para lhe dizer: Você me salvou. Você foi a única pessoa que parou para me socorrer.” Henry respondeu: “Amigo, por incrível que pareça, foi você quem me salvou. Ao conhecer sua história, percebi que minha vida tinha um significado especial. Obrigado John.” Henry havia estado do outro lado dos trilhos.

E você? Já olhou ao seu redor e percebeu quantas pessoas estão vivendo situações difíceis, bem piores? Faça algo por elas. Pode ser que a maior necessidade de uma pessoa não seja a de um prato de comida, ou de alguma peça de roupa, ou outra coisa material. Mas de amizade, valorização e apreço. Demonstrar isso para essa pessoa não vai ajudar apenas ela, mas principalmente você. Atravessar os trilhos da estrada de ferro pode fazer grande diferença em seu cotidiano.

Nerivan Silva é editor associado de Vida e Saúde

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