quarta-feira, 29 maio

Do que o mundo precisa?

Texto por: admin 27 outubro, 2016 Sem comentários

Nos dias de hoje, é possível customizar o próprio destino, segundo o próprio gosto, e ainda assim encontrar endosso, seja de que qualidade for

Na correria da vida, mal dá tempo de a gente parar para pensar. Quanto ao Brasil, por exemplo, há quem diga que o brasileiro não é muito dado à reflexão, que primeiro faz e depois analisa. Talvez a luta pela sobrevivência tenha deixado nosso povo assim. A respiração oscila entre o vai-e-vem que começa cedo e termina tarde. Por outro lado, posições menos complacentes atribuem ao tropicalismo do país uma possível preguiça nacional, especialmente no que se refere a estudar uma situação antes de tomar uma atitude.

Seja como for, submissos ao modo automático ou desinteressados por natureza, ainda assim temos sido insistentemente convidados a ponderar sobre as questões do mundo. De terrorismo em terrorismo, de corrupção em corrupção, de atrocidade em atrocidade, acostumados ou não, precisamos pensar.

Estamos confusos? Talvez. Como será o mundo daqui a alguns anos? Haverá recursos naturais? E o mercado de trabalho? Até que ponto a ciência é e será confiável? Terá fim o preconceito? Haverá oportunidade para todos? Meus descendentes estarão seguros?

São tantas as preocupações…

Outro dia vi um post nas redes sociais que dizia algo sobre isso, mas fazia uma provocação. A ideia era que nos preocupamos muito com a sustentabilidade do planeta, mas não pensamos no caráter de quem dará continuidade à vida.

Afinal, o que é mais importante: o indivíduo ou a espécie? O habitat ou o habitante? Evidentemente, cada qual tem seu valor na manutenção desse grande complexo chamado existência.

Mas são tantas as opiniões, são tantas as ideologias, são tantos os discursos políticos, econômicos, sociais, científicos, ecológicos e religiosos… Em quem confiar? Nos dias de hoje, é possível customizar o próprio destino, segundo o próprio gosto, e ainda assim encontrar endosso seja de que qualidade for.

É por isso que não acredito que o mundo precise de mais estabelecimentos e instâncias especializados em retórica. O mundo não precisa de mais opiniões de quem muito diz e pouco representa. O mundo não precisa de mais gente que jura sustentar uma causa, mas, na verdade, trabalha o tempo todo pela autopromoção, para si e para os seus, quando, na verdade, foi convocado a trabalhar por muitos.

O mundo precisa de gente, sim, mas é de gente para valer! Sabe aquele ideal de pessoa que não se vende e que não se compra? Pessoas dispostas a perder benefícios temporários por recompensas mais dignas em longo prazo. Pessoas que não fazem lisonja apenas para receber vantagens, mas que expressam a essência do que vai no coração. O mundo precisa de gente honesta consigo mesma e com o próximo, mas também honesta na relação crença-conduta.

Quando Jesus habitou entre nós, Ele disse que, muito mais que tradições, sacrifícios e belas palavras, Deus procura por adoradores verdadeiros. Há mais de dois mil anos, somos chamados a viver plenamente, fazendo do nosso exterior apenas o reflexo do que vai por dentro. Mais de vinte séculos atrás já era disso que o mundo mais precisava!

Agatha Lemos é editora associada de Vida e Saúde.

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