quinta-feira, 30 junho

Pé na estrada

Texto por: Equipe VS 19 maio, 2022 Sem comentários

O que os exercícios físicos e a corrida fizeram na vida de um jovem e um idoso 

Ágatha Lemos e Michelson Borges 

Thiago Bezerra da Silva tem 33 anos, é enfermeiro e vive em Engenheiro Coelho. Elion Paixão Matos tem 77 anos, é teólogo e pastor aposentado, pai de quatro filhos e avô de oito netos. 

Quando e por que você começou a correr? 

Thiago: Em 2015; porém, profissionalmente, só em 2020. 

Elion: Quando me tornei cristão, eu estava muito debilitado; estava vindo de uma vida de vícios. Meu médico chegou a afirmar que eu estava à beira da sepultura. Eu tinha dezenove anos. Fiquei muito angustiado, e foi aí que tive um sonho com Jesus dizendo-me que tinha vindo me ensinar a orar. Então pedi para Ele me libertar e me curar, e Ele me atendeu. Então falei com um jovem que tinha vindo do Exército para me ensinar a praticar exercícios, não somente correr. Foi aí que aumentei de 48 kg para 57 kg. Isso aconteceu em 1964. Depois conheci a Igreja Adventista do Sétimo Dia e encontrei muitos livros e revistas da Casa Publicadora Brasileira (como a revista Vida e Saúde) que me orientaram bastante, principalmente sobre os oito remédios da natureza, sendo um deles o exercício físico. 

Que mudanças positivas você notou em sua saúde após adquirir o hábito da corrida? Thiago: A primeira mudança ocorreu no aspecto corporal: emagreci rapidamente e fiquei bem satisfeito. Além disso, passei a ter boas noites de sono. Elion: Com saúde física tudo melhorou em minha vida. Tenho mais inteligência para os estudos, mais disposição para trabalhar, mais tempo para minhas atividades profissionais, mais força, garra e determinação para os desafios da vida. Não perco tempo com doenças, nem tenho gastos com medicamentos. Além da saúde física, que benefícios você encontrou na corrida que fizeram diferença para seu bem-estar mental e até espiritual? Thiago: Talvez a corrida tenha tido ainda mais impacto sobre a minha saúde mental. Em 2021, especialmente, passei por perdas irreparáveis: dois tios e meu pai morreram nesse mesmo ano. Encontrei na corrida janelas para sair da depressão. De quantas corridas importantes (maratonas, São Silvestre, etc.) você já participou? Como treina? Thiago: Oficialmente, já participei de três ma-ratonas e uma corrida São Silvestre. Mas faço uma maratona a cada três meses treinando, e uma meia maratona por mês treinando, além de outras corri- das locais e estaduais. Elion: Quando o ser humano decide praticar alguma atividade física, ele deve planejar e se-parar um tempo diariamente; começar devagar; se possível ter um acompanhamento médico ou de um profissional; fazer um teste de aptidão física. Deve começar com moderação até ficar forte e criar um hábito, praticando no mínimo três vezes por semana. É melhor não fazer nada do que fazer esporadicamente, quando dá certo. Quem quer dá um jeito e quem não quer dá uma desculpa! A corrida é um hobby ou você tem pretensões maiores com ela? Thiago: A corrida começou para mim como um hobby, mas ela foi tomando proporções maiores. Principalmente após o convite e apoio do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) passei a encarar a atividade profissionalmente. Você aproveita a ocasião da corrida para distribuir livros e revistas. Como surgiu esse projeto? Thiago: A corrida para mim é também um meio para realizar ações missionárias. Ela é, inclusive, no Unasp (campus Engenheiro Coelho) uma ação ministerial oficial. Que tipo de literatura você distribui enquanto corre? Thiago: Distribuo livros e revistas que falam de saúde e de esperança. Por que decidiu distribuir livros e revistas nesses eventos? Thiago: Entendi que é um tipo de oportunidade de levar bom conteúdo a grupos de pessoas que têm o mesmo interesse que eu em corrida. O conteúdo fala de saúde e de esperança. No quesito esperança, muitas vezes nos surpreendemos com muitas carências que as pessoas vivem. Certamente, correr requer treino e dedicação. Que conselhos você daria a alguém que está pensando em aderir a essa modalidade esportiva? Thiago: A corrida é o esporte mais democrático do mundo! Você corre com quem quiser e na hora que quiser. Mas o conselho que dou é que ao tentar correr pela primeira vez, vá com calma, de quilômetro em quilômetro. Ah, e não se esqueça de trabalhar a mente a fi m de que consiga esperar pelos resultados no seu devido tempo. Já vimos casos de pessoas sedentárias e sem nenhum condicionamento físico irem correr como “pipoca” em eventos de atletismo. Algumas delas tiveram resultados trágicos, como infarto e até óbito. O que você pensa a respeito disso? Thiago: Realmente, para correr uma longa distância, é preciso muita preparação antes. O correto, inclusive, é ir ao médico e fazer exames de rotina. Como disse, a corrida deve ser feita aos poucos, começando quilômetro por quilômetro. É muito insano alguém do nada “se enfiar” em uma corrida longa sem condicionamento físico nem preparo adequado. Que itens básicos não podem faltar na vida de um corredor? Thiago: Costumo dizer duas coisas para meus alunos e amigos: a corrida é uma aula de temperança e domínio próprio. Muitas vezes queremos resultados absurdos em pequeno tempo. Isso promove desânimo e frustração. Comece devagar: um quilômetro por semana, por exemplo, já é muito bom. Avance aos poucos, de acordo com sua capacidade. Isso será motivador! A corrida deve ser prazerosa a fim de que não haja desistência. Compre um bom par de tênis, ideais para o impacto da corrida; e roupas próprias para a atividade. Elion: Por exemplo, uma garrafa de água, roupa adequada e um bom par de tênis próprios para correr. Ágatha Lemos e Michelson Borges Jornalistas e editores da revista Vida e Saúde 

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