terça-feira, 21 maio

Pessoalmente

Texto por: admin 2 junho, 2017 Sem comentários

Para conhecer a Deus diretamente, precisamos de uma experiência em primeira mão

As tribos guaranis que habitam as fronteiras meridionais entre o Brasil, o Paraguai e a Argentina chamam, com muita razão, as cataratas do rio Iguaçu de “grandes águas”. O primeiro europeu a chegar a essa região foi o conquistador espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca, em 1542.

A área das Cataratas do Iguaçu forma um conjunto de 275 quedas d’água, localizado entre o Parque Nacional do Iguaçu no Brasil e o Parque Nacional Iguazú, na Argentina. Sua área total corresponde a 250 hectares de floresta subtropical e é considerada Patrimônio Natural da Humanidade desde 1984.

Nas cataratas, o rio Iguaçu tomba em forma de uma imensa ferradura que se alarga em meia lua, numa garganta de 60 a 80 metros de profundidade. As águas, ao baterem no penhasco, lançam grandes nuvens de borrifo, que se erguem a uma altura de 152 metros, produzindo muitos arcos-íris.

Uma lenda tupi-guarani relata o surgimento das cataratas. Conta-se que uma nativa caingangue chamada Naipí, filha do cacique de sua aldeia, fugiu com seu amado Tarobá, para escapar de sua consagração ao culto do deus-serpente M’Boy. Tendo visto que ambos fugiam pelo rio em uma canoa, o enfurecido deus-serpente penetrou na terra e começou a retorcê-la, causando desmoronamentos que modificaram o relevo do rio, fazendo surgir os imensos abismos das cataratas. Envolvidos pela turbulência das águas, os dois apaixonados caíram de uma grande altura. Tarobá se transformou numa palmeira à beira do abismo, e sua amada Naipí se tornou uma pedra junto à imensa cachoeira. Desse modo cruel, aquela divindade condenou os dois namorados a se verem para sempre, sem, contudo, poderem se tocar.

Podemos traçar uma linha divisória entre conhecer a verdade sobre as Cataratas do Iguaçu, e conhecer a verdade das cataratas. Um turista pode ler, pesquisar, discutir, catalogar e encher a mente de informações sobre as cataratas – isso é conhecer sobre as cataratas. Mas, quando essa mesma pessoa vai ao local e recebe o impacto do tamanho, beleza e perfeição de sua natureza, então passa a conhecer a verdade dela.

Na vida espiritual isso também ocorre. Teólogos, historiadores e arqueólogos podem encher seus livros de verdades sobre a Bíblia. Mas somente quando a verdade das Escrituras Sagradas causa impacto sobre alguém, pode a mesma transformar a vida ou trazer uma mensagem de salvação.

Para alcançar pleno desenvolvimento espiritual não basta conhecermos intelectualmente a respeito de Deus. Temos que nos voltar para um relacionamento vivo com Ele, iluminados por Sua revelação escrita. Jesus ensinou: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei… aprendei de Mim, porque Sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mateus 11:28-29). Ele, portanto, está nos convidando a buscar na Bíblia uma compreensão melhor do caráter de Deus, para sermos transformados à Sua semelhança.

Na compreensão da escritora Ellen G. White, “o estudo da Bíblia fortalece e eleva a capacidade mental como nenhum outro… Como a flor se volta para o sol, para que seus brilhantes raios a ajudem a desenvolver beleza e simetria, assim devemos volver-nos para o Sol da Justiça, a fim de que a luz do Céu incida sobre nós e nosso caráter seja desenvolvido à semelhança de Cristo” (Caminho a Cristo, p. 110, 68).

Deus confiou aos seres humanos a Sua Palavra divinamente inspirada para o ensino, a correção e a educação na justiça, a fim de que toda pessoa seja perfeita e perfeitamente apta a toda boa obra (2 Timóteo 3:16-17). A Bíblia tem ensinos que só podem ser adquiridos pelo estudo pessoal e direto em busca da verdade.

Conhecer sobre alguma coisa pode ser válido em muitos sentidos, mas, no que se trata de verdades espirituais, não é tudo. Só receberemos o poder de Deus, se o recebermos diretamente dEle.

Francisco Carlos Ribeiro é professor de história e autor de materiais didáticos

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